© 2013 Letícia Barreto

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O Desejo do Império e o Império do Desejo

Jóia negra, sabor do pecado, da cor de canela, dos seios e quadris fartos, dos desejos secretos dos sonhos brancos, longínquos, dessa sede nostálgica de reencontrar tua mentalidade primitiva. 

Tua África, essa terra de sonhos, utopias, de fantasias e fantasmas, desperta meu desejo branco de possuir o território do teu corpo, de compartilhar contigo minha cultura, fé e civilização.

Guardo de ti doces recordações, desde os relatos dos viajantes ao Novo Mundo, do espanto do novo, dos postais da Exposição Colonial Portuguesa no Porto de 1934, onde vi-te pela primeira vez, numa ilha criada no meio de um lago. Dezenas de nativos da tua Guiné a viver seu quotidiano para o nosso deleite visual. Haviam outros teus irmãos do nosso Portugal de Ultramar, de Cabo Verde, Angola, Moçambique, Índia, Macau e Timor em exposição no Porto. Mais de três centenas deles, povos estranhos e distantes. 

Tua imagem, eternizada nos postais de Domingos Alvão eram os mais disputados souvenirs dessa feira. Era tanta gente... Mais de um milhão de portugueses foram "ver os pretos", orgulhosos da nossa missão civilizatória em África e Ásia. Meu país não é pequeno bem sabes. Já não lembro o teu nome, Rosa, Rosinha, Rosita? Ao menos assim chamavam-te, pois teu nome islâmico devia ser mais difícil de pronunciar.

 

A partir das imagens históricas dos artistas viajantes do Brasil colonial e sobretudo das fotografias chamadas "etnográficas", que exploravam o exotismo e o erotismo de nativas das colônias, a artista propõe uma reflexão sobre a contrução dos imaginários coloniais, sobretudo da imagem das mulheres dentro do discurso colonialista europeu, corpos exóticos, eróticos, colonizados, periféricos e quase sempre negros. Da história de Saartjie Baartman - a chamada Vénus de Hotentote, que em princípios do século XIX era exibida nos meios científicos e de entretenimento em Londres e Paris, aos chamados zoológicos humanos nas exposições européias, a verdadeira história e identidade dessas mulheres, corpos sem nome, foi apagada, "branqueada" e silenciada. Essa imagem erotizada e exotizada era central no discurso colonialista. Para alimentar o desejo de um império, incentivava-se o império do desejo.

Fontes: 

https://www.publico.pt/2013/08/25/jornal/rosita-e-o-imperio-como-objecto-de-desejo-26985718

http://www.scielo.mec.pt/pdf/csoc/v29/v29a06.pdf

Sarah Baartman

 

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O Desejo do Império e o Império do Desejo / The Desire of an Empire and the Empire of Desire

 

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Rositas

 

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Desejos Coloniais / Colonial Desires

 

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Ex-Centric

 

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Delírios Tropicais / Tropical Delirium

 

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